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PECS

O Sistema de Comunicação por Troca de Figuras (PECS) foi desenvolvido em 1985 e é um dos protocolos de Comunicação Suplementar e Alternativa (AAC) que procura desenvolver a comunicação funcional de um indivíduo. Observe que AAC tem uma abrangência muito maior, assim, se desejar, leia outro texto disponível neste mesmo site. Note também que existem várias publicações, cursos, estudos e materiais sobre PECS. No Brasil, é possível acessar um excelente material em: www.pecs-brazil.com

O PECS tem sido usado com pacientes que possuem dificuldades de comunicação, cognitiva e física. Com ele, alguns pacientes podem apresentar uma melhora na fala, embora não sendo seu principal foco; mas sim, como dito, a comunicação funcional e o comportamento verbal (comunicativo) mais amplo. O PECS, na sua concepção e desenvolvimento, também se baseou nas pesquisas e publicações de Skinner sobre comportamento verbal. Além disso, foi fundamentado numa abordagem de ensino que contempla vários conceitos utilizados na análise do comportamento.  Desta forma, sugerimos a leitura do texto sobre Análise Aplicada do Comportamento (ABA - Applied Behavior Analysis) disponível também neste site.

Nem toda forma de comunicação é funcional, é necessário que exista um parceiro, no mínimo. Então, temos aquele que inicia e aquele que reage, ocorrendo trocas. Na verdade, “troca” é a palavra-chave quando o assunto é PECS.

O protocolo PECS

O protocolo do PECS está organizado em seis fases para sua implementação:

  • Na primeira fase o indivíduo aprende a trocar uma figura para pedir algo;

  • Na seguinte, ainda usando uma única figura, o objetivo é trabalhar a persistência da comunicação usando a troca com diferentes pessoas e que estejam em diferentes ambientes;

  • Na fase três o objetivo é que o paciente aprenda, então, a discriminar e escolher entre duas figuras;

  • Na fase quatro o foco é construir frases simples. É neste momento, portanto, que é trabalhado também um volume maior de vocabulário, introduzindo-se adjetivos, verbos e advérbios que devem ser utilizados na construção de sentenças mais longas;

  • Na fase cinco o indivíduo já é capaz de formar frases; logo, deverá responder a perguntas;

  • Na última fase, a de número seis, outras funções da linguagem são trabalhadas, como, por exemplo, a de comentar.

Diante desta breve descrição, é importante mostrar que o PECS se propõe a ensinar os indivíduos a usar uma imagem no sentido de conduzi-los a um comportamento verbal (comunicação), evitando-se a utilização restrita de uma imagem apenas por sua simples representação gráfica.

Nas abordagens e terapias relacionadas ao Transtorno do Espectro Autista e à Síndrome de Phelan-McDermid outras formas de comunicação, também baseadas em imagens, são, muitas vezes, erroneamente chamadas de PECS. Esta confusão se origina porque a evidente habilidade de memória visual apresentada por pacientes TEA e PMS sugere o uso de imagens como apoio visual, um facilitador, em diferentes situações para organização de rotinas, sequenciamento de tarefas e identificação de objetos, que são muito úteis, mas tem outras denominações.

Como antes mencionado, o PECS é uma forma de comunicação alternativa e suplementar, mas não é a única. A adoção ou não do protocolo vai depender da avaliação do paciente por parte de um bom profissional que conheça o processo. Fonoaudiólogos tem um amplo espectro de atuação, sobretudo na área de linguagem. Os analistas do comportamento, com formação em Análise Aplicada do Comportamento (ABA), também trabalham linguagem. O importante, nos dois casos, é observar se o profissional tem a formação PECS. Muitas vezes a família precisa compor a equipe terapêutica com mais de um especialista, em detrimento de um profissional mais generalista, visando o melhor desenvolvimento do paciente.